HPV no Homem

O que é o HPV no homem?

O HPV (Papilomavírus Humano) é a infecção sexualmente transmissível mais frequente entre os homens.

Embora muitas vezes seja associado apenas às mulheres e ao câncer do colo do útero, o HPV também pode acometer o homem e causar lesões na região genital, anal e orofaríngea.

A maioria das infecções é assintomática, o que significa que muitos homens podem transmitir o vírus sem saber.

O homem pode ter HPV sem apresentar sintomas?

Na maioria das pessoas infectadas pelo HPV, o vírus permanece em estado latente e não causa lesões visíveis ou detectáveis. Segundo Baseman e Koutsky (2005), mais de 70% dos indivíduos infectados não apresentam sintomas clínicos, pois o sistema imune elimina espontaneamente a infecção em até 12 meses.

Quando lesões ocorrem, podem ser clínicas — visíveis a olho nu, como verrugas e condilomas — ou sub clínicas, detectáveis apenas por videogenitoscopia ampliada com ácido acético e magnificação. As lesões subclínicas são significativamente mais frequentes que as clínicas visíveis, representando uma fonte importante de transmissão silenciosa, pois a pessoa não percebe que as tem.

No homem especificamente, a ausência de sintomas é ainda mais frequente e clinicamente relevante. Diferentemente da mulher — que dispõe de programas organizados de rastreamento para câncer do colo do útero por meio da colpocitologia (Papanicolaou) e/ou genotipagem, e não para o diagnóstico de lesões por HPV em si —, não existe qualquer programa de rastreamento equivalente para o homem, seja para lesões subclínicas por HPV seja para lesões precursoras de cânceres HPV-relacionados, como o câncer de pênis, anal ou orofaríngeo. Ou seja: mesmo na mulher, o Papanicolaou não foi concebido para diagnosticar o HPV, mas sim para identificar alterações celulares precursoras do câncer cervical — o que significa que lesões por HPV em outras regiões, tanto na mulher quanto no homem, permanecem sem qualquer programa de rastreamento organizado. Essa ausência faz com que os homens sejam menos avaliados por especialistas, aumentando significativamente a chance de terem lesões — visíveis ou microscópicas — sem perceber, sem tratar e continuando a transmitir o vírus de forma silenciosa. Nesse contexto, a avaliação especializada por meio da peniscopia ou do Mapeamento Digital JCARVALHO® — que permite a análise magnificada de todas as regiões de risco com registro fotográfico e acompanhamento evolutivo — representa a principal ferramenta disponível para auxiliar no diagnóstico precoce das lesões HPV-relacionadas no homem.

Vale destacar ainda que um resultado positivo no teste de DNA do HPV nem sempre representa uma nova infecção. O estudo HITCH (Montreal, 2022) demonstrou que aproximadamente 43% das novas detecções de HPV representam reativação de infecções latentes anteriores — não necessariamente novas exposições ou novo contato sexual de risco.

Quando presentes, as manifestações podem incluir verrugas genitais, lesões subclínicas, alterações na uretra, lesões anais e lesões orais e orofaríngeas.

HPV no homem pode causar câncer?
Sim. Embora menos frequente que nas mulheres, alguns tipos de HPV de alto risco oncogênico podem estar relacionados ao desenvolvimento de câncer de pênis, câncer anal, câncer de orofaringe e lesões pré-cancerosas. O risco é maior quando a infecção persiste por longos períodos sem controle imunológico adequado.

O homem elimina o HPV naturalmente?
Na maioria dos casos, sim. Grande parte das infecções regride espontaneamente graças à resposta imunológica do organismo. O grande desafio clínico, entretanto, é identificar quem está com lesão microscópica ativa — e portanto transmitindo e com risco de progressão — e quem está verdadeiramente sem infecção detectável. Alguns pacientes podem apresentar persistência viral e recorrência das lesões, especialmente na presença de fatores que comprometem a imunidade local ou sistêmica.

Quais fatores favorecem a persistência do HPV?

Diversos fatores podem dificultar o controle da infecção, entre eles

  • tabagismo, 
  • imunossupressão, 
  • infecção pelo HIV, 
  • uso prolongado de corticosteroides, 
  • coinfecção com outras ISTs,
  • balanopostites recorrentes, 
  • fimose 
  • má higiene genital.

HPV e Fimose 

A fimose merece atenção especial. A dificuldade de exposição completa da glande pode favorecer inflamações crônicas e balanopostites de repetição, criando um microambiente que contribui para a persistência do HPV. Por esse motivo, a avaliação da presença de fimose faz parte da investigação urológica de muitos pacientes com HPV recorrente..

Como é feito o diagnóstico do HPV no homem?

O diagnóstico pode envolver diferentes métodos conforme a indicação clínica: exame clínico, videogenitoscopia ampliada, peniscopia, avaliação uretral quando indicada, biópsias direcionadas, histopatologia e testes de biologia molecular. Não existe um único exame capaz de responder todas as perguntas sobre a infecção — a combinação de métodos, orientada pelo especialista, é o que permite uma avaliação completa.

O que é a Videogenitoscopia?

A Videogenitoscopia representa uma evolução da peniscopia tradicional. A denominação mais adequada para justificar a avaliação ampliada de regiões extragenitais é Videogenitoscopia Ampliada — ou, em sua forma mais completa, o Mapeamento Digital JCARVALHO® para o HPV.

O exame permite avaliar pênis, prepúcio, glande, escroto, região pubiana, região inguinal, períneo, região perianal e orofaringe — com avaliação do canal anal em pessoas que praticam sexo anal, e de cavidade nasal e conjuntivas em situações especiais. Além da avaliação ampliada, permite documentação fotográfica sistematizada e acompanhamento evolutivo das lesões.

O que é o Mapeamento Digital do HPV?

O Mapeamento Digital JCARVALHO® é uma metodologia baseada na avaliação ampliada e sistematizada das áreas potencialmente acometidas pelo vírus. O método combina avaliação de todas as regiões suspeitas, exame clínico especializado, magnificação digital, registro fotográfico, biópsias direcionadas quando indicadas, exames moleculares e acompanhamento evolutivo. O objetivo é compreender não apenas a presença de lesões, mas também seu comportamento ao longo do tempo — permitindo diagnóstico mais preciso, tratamento direcionado e seguimento individualizado.

Perguntas frequentes

O homem pode transmitir HPV sem ter verrugas?

Sim. Lesões subclínicas — não visíveis a olho nu — também são fonte de transmissão viral ativa.

Todo homem com HPV precisa de tratamento?

Depende da avaliação clínica. Quando há lesões visíveis ou microscópicas identificadas ao Mapeamento Digital JCARVALHO®, o tratamento é indicado — pois algumas destas  lesões podem evoluir para malignidade e/ou também representam fonte ativa de transmissão. Nos casos em que o teste de DNA do HPV dá resultado positivo em alguma região, mas o Mapeamento Digital não identifica lesões visíveis ou subclínicas, considera-se que o vírus está em estado latente — inativo —, e nesses casos o tratamento geralmente não está indicado.

Para entender melhor essa distinção, é fundamental compreender que o swab genital com pesquisa de DNA viral e a Videogenitoscopia Ampliada ou Mapeamento Digital JCARVALHO® são exames com objetivos completamente distintos e não intercambiáveis. 

O swab identifica DNA viral — inclusive em infecções latentes —, enquanto a videogenitoscopia ampliada localiza lesões visíveis ou microscópicas clinicamente relevantes e direciona o tratamento quando necessário. Duas situações ilustram bem essa diferença:

Situação 1 — Falso alarme: O swab genital pode resultar positivo, levando o paciente e o médico a concluírem que há doença ativa e a proporem alguma forma de tratamento. No entanto, ao se realizar uma avaliação minuciosa por Videogenitoscopia Ampliada ou Mapeamento Digital JCARVALHO®, nenhuma lesão visível ou microscópica é encontrada. Nesse cenário, o HPV está latente — adormecido —, não configura doença ativa, não há estudos que confirmem sua transmissibilidade nesse estado e não existe indicação de tratamento.

Situação 2 — Falsa segurança: O swab genital pode resultar negativo, transmitindo ao paciente e ao médico a falsa impressão de que o indivíduo está livre do HPV. Na realidade, podem existir lesões microscópicas em regiões não amostradas pelo swab, ou mesmo lesões visíveis antigas nas quais a coleta superficial não foi suficiente para recuperar DNA viral. Nesse cenário, o paciente está com doença ativa, transmite o vírus e necessita de tratamento.

Portanto, a decisão de tratar ou não tratar não deve ser baseada exclusivamente no resultado de um swab — mas sim na avaliação clínica completa, preferencialmente por meio do Mapeamento Digital JCARVALHO®, que permite identificar com precisão a presença ou ausência de lesões em todas as regiões de risco. 


O HPV pode voltar após o tratamento?

Sim, a recorrência pode ocorrer quando:

  persistem fatores que favorecem a proliferação viral, 

– quando não foram eliminadas todas as lesões visíveis e microscópicas, 

– quando áreas não avaliadas continuam com lesões ativas,

– quando ocorre reativação de infecção latente por queda de imunidade, 

–  ou por nova contaminação por outros tipos de HPV.


Existe exame preventivo para HPV no homem?

Não existe programa de rastreamento para HPV nem no homem nem na mulher. O que existe é rastreamento para câncer do colo do útero na mulher, por meio da colpocitologia (Papanicolau) e do teste de DNA do HPV no colo uterino — exames que muitas pessoas confundem com diagnóstico de HPV, o que não é correto. Esses exames identificam alterações celulares precursoras do câncer cervical e a presença de tipos oncogênicos no colo uterino — não diagnosticam lesões por HPV em outras regiões. Portanto, para saber se uma pessoa tem lesões por HPV em qualquer região do corpo, a principal ferramenta disponível é a Videogenitoscopia Ampliada ou o Mapeamento Digital JCARVALHO® para o HPV.

A vacina contra HPV é indicada para homens?

Sim. 

A vacinação representa uma importante estratégia de prevenção primária — e sua indicação para homens é respaldada pelas principais diretrizes nacionais e internacionais.

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