Uma curvatura leve do pênis durante a ereção é uma variação anatômica normal e comum, sem qualquer impacto funcional ou clínico. No entanto, quando a curvatura é acentuada, progressiva ou causa dor e dificuldade nas relações sexuais, pode ser sinal de uma condição que merece atenção médica, sendo a mais importante a doença de Peyronie.
A doença de Peyronie é uma condição adquirida caracterizada pela formação de uma placa de tecido fibrótico (cicatricial) na túnica albugínea, a camada que envolve os corpos cavernosos do pênis. Essa placa rígida faz com que o pênis curve-se em direção a ela durante a ereção, podendo causar curvatura para cima, para baixo ou para os lados, além de encurtamento do pênis e dor nas fases iniciais.
Acredita-se que microtraumas repetidos durante a atividade sexual sejam o gatilho para a formação da placa em indivíduos geneticamente predispostos. A doença acomete aproximadamente 5 a 10% dos homens adultos, sendo mais frequente após os 40 anos.
Curvaturas congênitas (presentes desde o nascimento), sem placa palpável e sem progressão, são uma situação diferente da doença de Peyronie e têm tratamento cirúrgico eletivo quando causam limitação funcional.
O tratamento da doença de Peyronie depende da fase e da gravidade. Na fase aguda (primeiros 12 a 18 meses), com dor e curvatura em progressão, o tratamento pode incluir medicamentos orais, injeções na placa ou ondas de choque. Na fase crônica (placa estabilizada), o tratamento definitivo é cirúrgico: plicatura ou enxerto para correção da curvatura.
Se você percebeu curvatura progressiva, dor durante a ereção ou nódulo palpável no pênis, procure avaliação especializada. O diagnóstico e o tratamento precoces podem evitar a progressão da doença e preservar a função sexual.