HPV e Parasitoses

Parasitoses Genitais e HPV: Pediculose (Chato) e Escabiose (Sarna)

A pediculose pubiana (chato) e a escabiose (sarna) sao parasitoses que podem ser transmitidas sexualmente e podem coexistir com o HPV nas mesmas populações de risco. Embora não sejam virais, causam inflamação e microtraumas que podem facilitar a transmissão de ISTs, incluindo o HPV.

Pediculose Pubiana — O Chato

Causada pelo Phthirus pubis (piolho pubiano ou chato), um parasita hematofago que infesta preferencialmente pelos grossos e curtos — púbis, axilas, barba, cílios e sobrancelhas. O Pediculus humanus capitis, que causa piolho na cabeça, é uma espécie diferente.

Transmissao

  • Sexual: principal via em adultos — contato púbis a púbis durante a relação sexual.
  • Não sexual: roupas íntimas, cama, toalhas compartilhadas. Possível mas menos comum.
  • Entre crianças: comum em idade escolar por contato direto — geralmente nos pelos da cabeça, não na região pubiana.

Clinica e Diagnostico

O principal sintoma e o prurido intenso na região pubiana, especialmente a noite (quando o parasita é mais ativo). O diagnóstico é clinico:

  • Lêndeas (ovos): pequenos grãos esbranquiçados fixados firmemente na base dos pelos — diagnostico visual.
  • Chatos adultos: visíveis a olho nu ou com lupa — pequenos aracnídeos de cor acinzentada, imóveis quando expostos a luz.
  • Picadas: pontos azulados (maculae ceruleae) na pele são reação às picadas.

Tratamento

  • Permetrina 1% creme ou shampoo: aplicar nos pelos afetados.
  • Ivermectina oral: opção para casos extensos ou refratários.
  • Roupas e cama: lavar com água quente (60 graus) e secar em secadora. Não é necessário fumigar o ambiente.
  • Parceiro: tratamento simultâneo obrigatório.
  • Família: tratar todos que apresentarem sintomas.

Escabiose — A Sarna

Causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variante hominis, a escabiose é uma parasitose de alta contagiosidade. A fêmea escava túneis na camada córnea da epiderme para depositar seus ovos, causando reação inflamatória intensa.

Transmissao

  • Contato direto prolongado pele a pele: principal via. A transmissão sexual é possível mas a sarna também se transmite por contato não sexual prolongado.
  • Animais de estimação: Sarcoptes de cães e gatos podem causar sarna transitória em humanos (não se reproduz na pele humana).
  • Fômites: roupas e cama contaminadas — relevante na sarna crostosa (norueguesa) em imunossuprimidos.

Clinica

Prurido intenso, de predomínio noturno, e o sintoma cardinal. As lesoes sao:

  • Sulcos acarinos (túneis): linhas sinuosas cinzas de 1-2 cm, com pequena vesícula na extremidade — a fêmea escavando. Patognomônicos.
  • Localização preferencial: espaços interdigitais das mãos, punhos, axilas, região umbilical, genitália masculina (escroto e penis), nádegas. Poupam face e couro cabeludo em adultos.
  • Sarna norueguesa (crostosa): forma grave em imunossuprimidos (HIV, transplantados). Milhões de ácaros, lesões crostosas extensas, altamente contagiosa.

Diagnostico e Tratamento

  • Diagnóstico clínico: prurido noturno intenso com lesões características — especialmente sulco acarino.
  • Confirmação microscópica: raspado da extremidade do sulco acarino revela ácaro, ovos ou fezes ao microscópio.
  • Permetrina 5% creme: aplicar em todo o corpo (do pescoço aos pés), aguardar 8-12 horas, banhar. Repetir em 7 dias.
  • Ivermectina oral: Especialmente útil na sarna norueguesa.
  • Tratamento coletivo: toda a família e contatos íntimos devem ser tratados simultaneamente, mesmo sem sintomas.

Parasitoses, HPV e ISTs

A relacao entre parasitoses genitais e HPV e indireta mas relevante:

  • Populações sobrepostas: pediculose e escabiose ocorrem nas mesmas populações com múltiplos parceiros e comportamento sexual de risco.
  • Microtraumas por escoriações: o prurido intenso leva a escoriações que criam micro lesões na pele — possível porta de entrada para HPV e outras ISTs.
  • Imunossupressão: sarna norueguesa em pacientes com HIV e marcador de imunossupressão avançada — momento em que o HPV também tende a ser mais extenso.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Sarna é uma doença sexualmente transmissível?

Pode ser transmitida sexualmente, mas também por contato não sexual prolongado (cama compartilhada, roupas). Não é classificada como IST clássica, mas ocorre em populações com comportamento de risco e que é tratada junto com o parceiro.

Preciso raspar os pelos para tratar pediculose?

Não é obrigatório. A permetrina elimina os parasitas sem necessidade de raspagem. A remoção dos pelos pode facilitar o tratamento e o acompanhamento, mas é opcional.

Sarna pode passar para animais?

O Sarcoptes humano não sobrevive em animais domésticos. O inverso também é verdadeiro — a sarna de cães e gatos causa prurido transitório em humanos mas não se reproduz.

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