Vasectomia

O que é a vasectomia?

A vasectomia é um procedimento cirúrgico realizado para promover a esterilização masculina definitiva. A cirurgia consiste na interrupção dos canais deferentes, impedindo que os espermatozoides sejam transportados até o sêmen durante a ejaculação.

Após a vasectomia, o homem continua produzindo espermatozoides normalmente, porém eles permanecem no epidídimo e são reabsorvidos naturalmente pelo organismo.

É considerada um dos métodos contraceptivos mais eficazes, seguros e duradouros, apresentando índices de eficácia superiores a 99% após confirmação do sucesso do procedimento pelo espermograma.


Quem pode realizar a vasectomia?

No Brasil, a vasectomia pode ser realizada em homens que preencham os critérios estabelecidos pela legislação vigente.

De forma geral, o procedimento pode ser indicado para:

  • Homens com capacidade civil plena e idade igual ou superior a 21 anos;
  • Homens com, pelo menos, dois filhos vivos;
  • Casais que decidiram não ter mais filhos;
  • Situações nas quais uma futura gestação represente risco significativo à saúde da parceira.

A decisão deve ser voluntária, consciente e precedida de adequado aconselhamento médico.


Como é realizada a cirurgia?

A vasectomia é um procedimento de pequeno porte, geralmente realizado com anestesia local e alta no mesmo dia.

O objetivo da cirurgia é interromper definitivamente os canais deferentes, responsáveis pelo transporte dos espermatozoides.

Existem diferentes técnicas cirúrgicas.


Quanto ao acesso cirúrgico

Técnica convencional

São realizadas uma ou duas pequenas incisões na pele do escroto para identificação e secção dos canais deferentes.


Técnica sem bisturi (No-Scalpel Vasectomy)

Utiliza pinças especiais para realizar uma pequena punção na pele, permitindo a exteriorização do canal deferente sem necessidade de incisões convencionais.

Essa técnica costuma estar associada a menor sangramento, menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida.


Quanto ao método de oclusão

Após a identificação dos canais deferentes, diferentes técnicas podem ser utilizadas para reduzir o risco de recanalização espontânea.

Entre elas destacam-se:

  • Ressecção de um pequeno segmento do canal deferente;
  • Ligadura das extremidades;
  • Cauterização da luz do canal deferente;
  • Interposição de fáscia (fascial interposition), quando indicada.

Frequentemente mais de uma técnica é utilizada simultaneamente para aumentar a eficácia do procedimento.


A vasectomia interfere na vida sexual?

Não.

A vasectomia não altera:

  • desejo sexual;
  • produção de testosterona;
  • ereção;
  • orgasmo;
  • ejaculação.

O volume do sêmen permanece praticamente inalterado, pois os espermatozoides representam apenas uma pequena fração do ejaculado.


Quais são os riscos da cirurgia?

Embora seja considerada uma cirurgia segura, podem ocorrer algumas complicações.

As mais frequentes incluem:

  • Dor ou desconforto escrotal temporário;
  • Pequenos hematomas;
  • Edema (inchaço);
  • Infecção da ferida operatória;
  • Granuloma espermático;
  • Recanalização espontânea dos canais deferentes (evento raro).

Em um pequeno número de pacientes pode ocorrer dor escrotal persistente (Síndrome da Dor Pós-Vasectomia), situação que deve ser avaliada individualmente.


Orientações antes da cirurgia

Antes da realização da vasectomia recomenda-se:

  • Consulta para esclarecimento de dúvidas;
  • Discussão sobre o caráter definitivo do procedimento;
  • Orientação quanto à possibilidade de arrependimento futuro;
  • Avaliação das alternativas contraceptivas reversíveis;
  • Assinatura do termo de consentimento;
  • Respeito ao prazo mínimo legal entre a manifestação da vontade e a realização da cirurgia, conforme a legislação brasileira vigente.

Orientações após a cirurgia

Após a vasectomia recomenda-se:

  • Repouso relativo nas primeiras 48 horas;
  • Uso de compressas frias para reduzir dor e inchaço;
  • Utilização de cueca justa ou suspensório escrotal por alguns dias;
  • Evitar atividade física intensa durante aproximadamente uma semana;
  • Evitar relações sexuais por cerca de 7 dias ou conforme orientação médica.

Quando a vasectomia começa a fazer efeito?

A vasectomia não produz esterilidade imediata.

Espermatozoides ainda permanecem nos canais deferentes e nas vesículas seminais durante algum tempo após a cirurgia.

Por esse motivo, é indispensável manter outro método contraceptivo até a realização do espermograma de controle.

Geralmente o exame é solicitado após aproximadamente 8 a 12 semanas, ou após cerca de 20 a 30 ejaculações, conforme orientação do urologista.

Somente após a confirmação da ausência de espermatozoides (azoospermia) ou da presença de raros espermatozoides imóveis, quando considerados clinicamente seguros, a vasectomia pode ser considerada efetiva.


Perguntas Frequentes

A vasectomia reduz a testosterona?

Não. A produção hormonal permanece normal.


A vasectomia causa impotência?

Não. A cirurgia não interfere na ereção, na libido nem no desempenho sexual.


O homem continua ejaculando?

Sim. O volume do sêmen permanece praticamente igual ao anterior à cirurgia.


Existe risco de gravidez após a vasectomia?

Sim, enquanto o espermograma de controle não confirmar o sucesso do procedimento.

Mesmo após um espermograma normal, existe uma pequena possibilidade de recanalização espontânea tardia, embora seja um evento extremamente raro.


A vasectomia pode ser revertida?

Em muitos casos, sim.

A reversão pode ser realizada por técnicas de microcirurgia, porém o sucesso depende de diversos fatores, especialmente do tempo transcorrido desde a vasectomia e das características do casal.


IMPORTANTE: A vasectomia é considerada um método contraceptivo definitivo. Embora existam técnicas de reversão, elas não garantem o retorno da fertilidade. Por esse motivo, a decisão deve ser tomada de forma consciente e após adequado aconselhamento médico.

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