HPV e Donovanose

Donovanose e HPV: A IST Ulcerativa Tropical de Difícil Diagnóstico

A donovanose é uma IST ulcerativa tropical causada pela bactéria Klebsiella granulomatis. Rara em países desenvolvidos, ainda ocorre em regiões tropicais do Brasil. Produz úlceras genitais vegetantes que podem ser confundidas com HPV, sífilis e carcinoma — tornando a biópsia indispensável.

O que é a Donovanose?

A donovanose — também chamada granuloma inguinal — é causada pela Klebsiella granulomatis (anteriormente denominada Calymmatobacterium granulomatis), um bacilo gram-negativo intracelular obrigatório. É endêmica em partes da África, Índia, Papua Nova Guiné, Caribe e norte do Brasil.

A transmissão ocorre por contato sexual, mas também pode ser por contato direto com material das lesões em mucosas ou pele lesada. O período de incubação varia amplamente — de 1 semana a vários meses.

Apresentação Clínica

A donovanose tem quatro formas clínicas principais:

  • Forma ulcerovegetante (mais comum): ulcera de borda plana ou elevada, indolor, de base granulomatosa vermelha brilhante (aspecto de ‘carne viva’). Pode ser múltipla, em espelho (lesões nas duas faces opostas da genitália por contato direto).
  • Forma nodular: nódulos subcutâneos que evoluem para ulceração.
  • Forma cicatricial: fibrose progressiva com deformidade genital.
  • Forma elefantiasica: linfedema extenso por obstrucao dos vasos linfaticos.

Não há adenite inguinal (diferencial importante com LGV e cancro mole). As lesões ocorrem nas dobras genitais e região perianal, geralmente unilaterais inicialmente, mas podem confluir e ser extensas.

Diagnostico Diferencial com HPV

A donovanose pode simular HPV especialmente quando produz lesões vegetantes e exuberantes na genitália. Os diferenciais fundamentais:

  • HPV: lesões em couve-flor, acetobrancas com ácido acético, sem base granulomatosa vermelha.
  • Donovanose: base vermelha brilhante granulomatosa, indolor, sem resposta ao ácido acético, sem acetobranqueamento.
  • Sífilis secundária: condiloma plano úmido, VDRL positivo.
  • Carcinoma espinocelular: diferencial obrigatório — a biópsia define.
  • Linfogranuloma Venéreo: cursacom adenite inguinal intensa ausente na donovanose.

Diagnostico

O diagnóstico definitivo exige biópsia da lesão. O exame histológico evidencia os corpúsculos de Donovan — inclusoes intracitoplasmaticas dentro de macrofagos, visíveis com coloração de Giemsa ou Wright. É o achado patognomônico da doença.

  • Biopsia da lesão: fragmento do bordo ativo — não do centro necrótico.
  • Coloracao de Giemsa ou Wright: evidencia corpos de Donovan nos macrofagos.
  • PCR para K. granulomatis: disponível em laboratórios de referência. Alta sensibilidade.
  • Cultura: tecnicamente difícil — não disponível na rotina.

Tratamento

O tratamento da donovanose exige antibiotico por período prolongado — até cicatrização completa das lesões:

Lesões extensas podem necessitar de  meses de tratamento. Recidivas são possíveis. Parceria deve ser avaliada e tratada.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A donovanose é comum no Brasil?

Relativamente rara, mas ainda ocorre — especialmente no norte e nordeste do Brasil, em populações de baixa renda com acesso limitado à saúde. Em grandes centros urbanos é muito incomum.

Como confirmar donovanose sem biopsia?

Não é possível com segurança. O aspecto clínico é sugestivo, mas a biópsia com demonstração dos corpúsculos de Donovan é o único método de confirmação confiavel. Toda úlcera genital atipica exige biopsia.

A donovanose pode virar câncer?

A inflamação crônica e prolongada da donovanose não tratada está associada ao risco aumentado de carcinoma espinocelular nas áreas afetadas — mais uma razão para diagnóstico e tratamento precoces.

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